A pergunta chega quase todas as semanas: uma casa no Algarve, sem AC, em agosto? A resposta curta é sim — mas depende do envelope, da orientação e da ventilação. A resposta longa está aqui, com números do nosso showroom no Algoz.
O que é uma Passive House
Uma casa Passive House é uma casa cujo envelope (paredes, cobertura, laje, janelas) é tão eficiente que a energia necessária para aquecer ou arrefecer o interior é uma fração da usada numa casa convencional. É um standard técnico, com critérios objetivos:
- Necessidade de energia útil de aquecimento ≤ 15 kWh/m².ano
- Necessidade de energia útil de arrefecimento ≤ 15 kWh/m².ano
- Estanquidade ao ar n₅₀ ≤ 0,6 h⁻¹
«Não é uma casa "que gasta pouco". É uma casa cujo envelope trabalha por si — o interior mantém-se estável quase sem intervenção mecânica.»
O que muda numa Passive House no Algarve
No Algarve, o desafio é o verão. O envelope tem de manter o calor fora. Trabalhamos com quatro princípios:
- Isolamento contínuo: 250–300 mm equivalente de lã mineral ou cortiça, sem interrupções.
- Envelope sob a laje: XPS sob a laje de betão elimina a ponte térmica com o solo.
- Sombreamento de vãos a sul e oeste: palas, portadas exteriores, vegetação.
- Ventilação noturna: refrescamento passivo aproveitando a diferença térmica noite-dia.
Números reais do showroom
Na moradia que estamos a construir no Algoz, com termómetro a marcar 38° C no exterior a 15 de agosto de 2026, medimos temperatura interior estabilizada em 24,5° C. Sem ar condicionado ligado. Consumo elétrico do dia: 3,8 kWh — só eletrodomésticos e iluminação.
Checklist técnico para validar uma Passive House real
O rótulo «Passive House» é usado com liberdade excessiva no mercado português. Antes de assinar contrato, peça ao construtor documentação escrita para cada um dos oito pontos seguintes. Se algum falhar, não é Passive House — é publicidade.
- Blower door test com resultado n₅₀ ≤ 0,6 h⁻¹. É o único teste que prova estanquidade real ao ar. Exija o relatório assinado pelo técnico com a curva de pressão a 50 Pa; valores acima de 1,0 h⁻¹ são construção comum, não passiva.
- Isolamento contínuo com espessura declarada. Para clima algarvio, mínimo 200 mm de lã mineral (λ ≤ 0,035 W/m·K) ou 240 mm de cortiça ICB nas paredes exteriores, e 300 mm na cobertura. Peça a ficha técnica do isolante com condutividade térmica.
- Unidade de VMC (ventilação mecânica) com recuperação ≥ 80%. Marcas de referência: Zehnder ComfoAir, Paul Novus, Vallox. Rendimento inferior a 75% torna impossível cumprir o critério de energia útil.
- Cálculo PHPP entregue em Excel. O Passive House Planning Package é a ferramenta oficial do Passivhaus Institut. Sem PHPP não há prova de que o projeto cumpre os limites — só suposições.
- Janelas com Uw ≤ 0,85 W/m²·K. Perfil PVC ou madeira-alumínio com vidro triplo de baixa emissividade. Fichas com marca (Internorm, Reynaers, Rehau Geneo) e valor certificado.
- Cálculo de pontes térmicas com Ψ ≤ 0,01 W/m·K. Todos os pontos singulares (ligação parede/laje, parede/cobertura, ombreiras) devem estar modelados em software 2D (Therm ou Flixo) com relatório anexo.
- Certificado de estanquidade emitido no fim de obra. Não vale um teste feito «para efeitos comerciais». O teste oficial deve ser feito em duas fases (após envelope fechado e no fim) por técnico independente certificado.
- Estudo de sombreamento por orientação. Análise gráfica dos ângulos solares de junho e dezembro em cada vão a sul e oeste, com dimensionamento de palas ou portadas. Sem sombreamento passivo dimensionado, o verão algarvio destrói o balanço de arrefecimento.
Um construtor que hesite em fornecer qualquer um destes documentos ainda antes da adjudicação está a dizer, sem o dizer, que o projeto não os tem.
Conclusão
Sim, sobrevive-se ao verão sem AC — em conforto, não em resistência. E não é magia: é engenharia de envelope, orientação e ventilação. Uma Passive House no Algarve é hoje a forma mais eficiente de habitar o sul.

